
Certo dia, ao buscar meu filho de 5 anos no colégio, fui avisado pela “tia” de que ele e outros dois coleguinhas haviam batido em um outro. Fiquei preocupado com tal atitude, mas antes de qualquer repreensão, chamei-o num canto e perguntei-lhe o motivo da briga:
- É que ele disse que o papai Noel não existe! – foi sua inocente resposta.
Fiquei aturdido e meio sem saber o que fazer. Fomos até o parque onde lhe expliquei que o amiguinho tinha razão.
- Papai Noel não existe de verdade, é uma ilusão, uma fantasia! Ele é que nem o Homem-Aranha (ele sabe que o Homem-Aranha só existe nas revistas e na televisão). O que existe é uma tradição, a do Natal, que faz com que as pessoas lembrem uma das outras, fiquem mais unidas e deem presentes àqueles que gostam.
- Então ele estava falando a verdade? – perguntou meio triste.
- Sim. E mesmo que ele não estive falando a verdade. Mesmo que o Papai Noel existisse, você e os outros não deveriam bater nele por causa disso! Não é porque uma pessoa pensa diferente de você, que ela acredita em coisas diferentes de você que você vai brigar, ou bater nela! Estamos entendidos?
- Sim, papai.
- E amanhã, peça desculpas ao amiguinho, ok?
Ele concordou com a cabeça. Depois tive que lhe explicar melhor sobre fantasias, ilusões e tradições. Numa sequência quase interminável de “por quês”
Hoje, meu pequeno não acredita mais em Papai Noel. Ele perdeu uma parte da ilusão infantil, mas com certeza aprendeu a ser uma pessoa mais tolerante.
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